Palestras


O ANTROPOCENO DA AMAZÔNIA: PERSPECTIVAS ARQUEOLÓGICAS
Prof. Dr. Michael Heckenberger (Department of Archeology - University of Florida-Gainesville / Florida, USA)

Resumo:
Quaternary history of the Amazon is complex, the history of forest contraction during glacial periods of the Pleistocene, interspersed with interstitial periods when forests expanded, resulting in complex compositional changes. Radical changes to fluvial systems resulting from sea level change also dynamically affected forest systems. The tendency of tropical biota to specialize in tropical forests, creating micro-habitats uniquely adapted to subtle gradients of the landscape, likewise has resulted in far greater variation, at all levels of biodiversity, than commonly accepted. But, just as things seems to settle down in the current closed forest conditions of the Holocene, along come humans, who we are now beginning to suspect that human groups began to change the composition of the forest, first subtly, almost imperceptibly, but in some areas establishing a recognizable foot print in forested areas by mid-Holocene times. By the late Holocene populations had settled into diverse areas, and grew into thriving regional polities and systems of alliance and interaction that spanned the region, but were decimated with a century of Cabral’s discovery of Brazil. This is what a meteoric rise of archaeological research over the past two decades leads many of us to believe, at any rate. Discussion focuses particularly on long-term change in the composition of forests along the southern Amazonian transitional forests from an archaeological point of view, how they may respond to current and future change, and notably what might be done to avoid an overall ecological oscillation from forest to open woodlands during the Current Warm Period (CWP), as suggested for past warm periods, such as during the mid-Holocene or Medieval Warm Period (MWP), including how past human populations responded to them.
Referências Bibliográficas:
Brando PM, Balch, J. K., Nepstad, D. C., Morton, D. C., Putz, F. E., Coeb, M. T., Silvérioa, D., Macedob, M. N., Davidson, E. A., Nóbrega, C. C., Alencara, A., Soares-Filho, B. S. 2014. Abrupt increases in Amazonian tree mortality due to drought-fire interactions. Proc Natl Acad Sci (USA) 111:6347–6352.
Floresa, B. M., Holmgrenb, M., Xu, C., van Nesa, E. H., Jakovace, C. C., Mesquitaf, R., Scheffera, M. 2017. Floodplains as an Achilles’ heel of Amazonian forest resilience. Proc Natl Acad Sci (USA), 114: 4442-4446.



PROJEÇÕES CLIMÁTICAS PARA O BRASIL NO SÉCULO XXI: TENDÊNCIAS E LIMITAÇÕES
Gilvan Sampaio (INPE)

Resumo:
O objetivo é apresentar as projeções climáticas para o século XXI e debater sobre as tendências e limitações associadas a essas projeções produzidas por modelos climáticos, com ênfase para o Brasil. Serão também debatidos os desafios científicos associados a elaboração das projeções climáticas futuras.
Referências Bibliográficas:
- Joetzjer E, Douville H, Delire C, Ciais P. 2013. Present-day and future Amazonian precipitation in global climate models: CMIP5 versus CMIP3. Climate Dynamics 41: 2921-2936.
- LAPOLA, David M. ; MARTINELLI, LUIZ A. ; PERES, CARLOS A. ; OMETTO, JEAN P. H. B. ; FERREIRA, MANUEL E. ; NOBRE, CARLOS ; AGUIAR, ANA PAULA D. ; BUSTAMANTE, MERCEDES M. C. ; CARDOSO, MANOEL F. ; COSTA, MARCOS H. ; JOLY, CARLOS A. ; LEITE, CHRISTIANE C. ; MOUTINHO, PAULO ; Sampaio, G. ; STRASSBURG, BERNARDO B. N. ; VIEIRA, IMA C. G. . Pervasive transition of the Brazilian land-use system. Nature Climate Change, v. 4, p. 27-35, 2013.
- LYRA, ANDRE DE ARRUDA ; CHOU, SIN CHAN ; Sampaio, Gilvan de Oliveira . Sensitivity of the Amazon biome to high resolution climate change projections. Acta Amazonica (online), v. 46, p. 175-188, 2016.
- NOBRE, CARLOS ; Sampaio, G. ; BORMA, LAURA S. ; CASTILLA-RUBIO, JUAN CARLOS ; SILVA, JOSÉ S. ; CARDOSO, Manoel . Land-use and climate change risks in the Amazon and the need of a novel sustainable development paradigm. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, v. 113, p. 10759-10768, 2016.
- Yin L, Fu R, Shevliakova E, Dickson RE. 2013. How well can CMIP5 simulate precipitation and its controlling processes over tropical South America? Climate Dynamics 41: 3127-b3143.



EVOLUÇÃO DA PAISAGEM NA PLANÍCIE COSTEIRA DE BERTIOGA
Celia R. de Gouveia Souza (IG-SMA/SP)

Resumo:
A planície costeira de Bertioga, localizada na Região Metropolitana da Baixada Santista (litoral central do Estado de São Paulo), apresenta quase todos os tipos de sistemas deposicionais aflorantes no restante do litoral brasileiro, encaixados em uma área bastante restrita (largura da planície é inferior a 6 km). Como toda planície costeira, a de Bertioga teve sua evolução associada às variações climáticas e do nível relativo do mar que ocorreram durante o Quaternário. Entretanto, essa evolução foi também controlada por pulsos tectônicos, cujo resultado foi: assinatura sísmica indicativa de um hemigraben (“Graben de Bertioga”) com bloco abatido voltado para a Serra do Mar; coluna sedimentar com espessura superior a 100 m na parte central da planície costeira; presença de feições morfotectônicas na planície costeira (arranjo anômalo de distribuição espacial de algumas Unidades Quaternárias, anomalias de drenagem e relevo, conjuntos de fraturas sistemáticas em terraços marinhos) e na Serra do Mar (captura fluvial do Rio Guaratuba); provável preservação de terraços marinhos e depósitos fluviais mais antigos que a Formação Cananéia (Estágio Isotópico Marinho – EIM 5e); controle diferencial da sedimentação marinha e fluvial holocênica; e presença de camadas-guia em depósitos pleistocênicos e holocênicos com rejeitos de até 7,5 m. Assim, o modelo evolutivo dessa planície costeira pode ser em parte comparado aos propostos para a maioria das planícies costeiras brasileiras, porém com a particularidade de ainda guardar os raros testemunhos do evento transgressivo-regressivo correlato ao EIM 7 e sugerir a ocorrência de pelo menos dois pulsos tectônicos ocorridos no final do Pleistoceno e um pulso no Holoceno médio a superior. Essa evolução geológica-geomorfológica especial também foi responsável pelo desenvolvimento de um mosaico complexo e muito variado de fisionomias de Vegetação de “Restinga”, englobando todas as definidas na Resolução CONAMA 07/1996, além de mais dois tipos novos. Esse mosaico é controlado pela distribuição espacial das Unidades Quaternárias na planície costeira e dos solos associados a cada uma. Outro aspecto relevante na região é a elevada preservação ambiental de grande parte dessa planície costeira, que incitou a criação de uma unidade de conservação integral - o Parque Estadual da Restinga de Bertioga, em 2010.
Referências Bibliográficas:
Badel-Mogollón, J.E. de J. & Souza. C.R. de G. 2011. Análise de agrupamento das geoformas e tecno-geoformas de planície costeira e baixa encosta, com base no NDVI relativo aplicado a imagens multiespectrais CBERs-2, no município de Bertioga, SP (Brasil). In: XV Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, Curitiba (PR), 30/04-05/05/2011. CD-ROM (trabalho completo).
Badel-Mogollón, J.E. de J.; Souza. C.R. de G. & Ledesma, L.M. 2012. Análisis geostadística de las fracciones granulométricas para su uso como indicadores de complijidad y cambio ambiental em los bosques sobre depósitos Pleistocénicos y Holocénicos de La Planicie costeira del municipio de Bertioga (Brasil), cuencas de los Rios Itaguaré y Guaratuba. (Brasil). In: Barragán Muñoz, J.M. (coord.). Libro de comunicaciones y pósters. I Congreso Iberoamericano de Gestión Integrada de Áreas Litorales, Cádiz, p. 439-449. ISBN13: 978-84-695-1823-6.
Coelho, M.R.; Martins, V.M.; Vidal-Torrado, P.; Souza, C.R. de G.; Perez, X.L.O. & Vázquez, F.M. 2010. Relação solo-relevo-substrato geológico nas restingas da planície costeira do estado de São Paulo. Revista Brasileira de Ciência do Solo, 34 (3): p.833-846. ISSN 0100-0683 (disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-06832010000300025&script=sci_abstract&tlng=pt).
Pereira, D. dos S. & Souza. C.R. de G. 2010. Variação horizontal da temperatura e da umidade relativa do ar entre a praia e as encostas da Serra do Mar da região de Bertioga (São Paulo, Brasil). In: VI Seminário Latino Americano de Geografia Física e II Seminário Ibero Americano de Geografia Física, Coimbra (Portugal), 26-30/05/2010, Actas, http://www.uc.pt/fluc/cegot/VISLAGF/actas/tema3/daniel
Pinto Sobrinho, F. de A. & Souza, C.R. de G. 2012. Composição florística e estrutura do componente arbóreo de uma Floresta Paludosa na planície costeira da bacia do rio Itaguaré, Bertioga, SP, Brasil. Revista do Instituto Florestal 24 (1):51-66. (http://www.iflorestal.sp.gov.br/publicacoes/revista_if/RIF24-1/p.51-66.pdf).
Pinto Sobrinho, F. de A.; Souza, C.R. de G. & Badel-Mogollón, J.E. de J. 2011. Análise estrutural de florestas de restinga associadas a depósitos marinhos pleistocênicos e holocênicos na bacia do Rio Itaguaré, Bertioga (SP). Revista do Instituto Geológico, São Paulo, 32 (1/2), 27-40. (ISSN 0100-929X) (http://gc.usp.br/igcJournal/index.php/rig/article/view/8929).
Souza, C.R. de G. 2015. The Bertioga Coastal Plain: An Example of Morphotectonic Evolution. In: B.C. Vieira, A.A.R. Salgado and L.J.C. Santos (eds.). Landscapes and Landforms of Brazil, Chapter 11, p. 115-134. World Geomorphological Landscapes, DOI 10.1007/978-94-017-8023-0. ©Springer Science+Business Media Dordrecht. Book ISBN: 978-94-017-8022-3.
Souza, C.R. de G.; Moreira, M.G. & Lopes, E.A. 2009. Coastal plain and low-medium slope sub-biomes: a new approach based on studies developed in Bertioga (SP). Brazilian Journal of Ecology, Ano 13, nº ½, p. 29-39. ISBN: 15165868. (disponível em http://ecologia.ib.uSP.br/seb-ecologia/revista/n109/Célia%20a.pdf).



MUDANÇAS CLIMÁTICAS E OCEANOGRÁFICAS PRETÉRITAS NA AMÉRICA DO SUL E NO ATLÂNTICO SUL: ESTADO DA ARTE
Profs. Dr. Francisco William da Cruz (IGc-USP) e Dr. Cristiano Chiesse (EACH-USP Leste)

Resumo:
Mudanças nas condições oceânicas exercem uma grande influência sobre o clima do continente sul-americano, assim como alterações na descarga dos rios sul-americanos alteram importantes parâmetros oceanográficos dos oceanos adjacentes. Pesquisas de geologia do Quaternário que utilizam dados de geoquímica isotópica e elementar de espeleotemas e de testemunhos marinhos são excelentes ferramentas interdisciplinares na investigação da origem dos eventos climáticos mais marcantes que ocorreram em diferentes escalas de tempo durante o último período glacial. Nesta palestra, discutiremos os principais avanços recentes dessas pesquisas bem como suas possíveis implicações em outras áreas do conhecimento científico.
Referências Bibliográficas:
Cheng, H., Sinha, A., Cruz, F.W., Wang, X., Edwards, R.L., D'Horta, F.M., Ribas, C.C., Vuille, M., Stott, L.D., Auler, A.S. 2013. Climate change patterns in Amazonia and biodiversity. Nature Communications 4, 1411.
Howe, J.N.W., Piotrowski, A.M., Noble, T.L., Mulitza, S., Chiessi, C.M., Bayon, G. 2016. North Atlantic Deep Water production during the Last Glacial Maximum. Nature Communications 7, 11765.
Novello, V.F., Cruz, F.W., Vuille, M., Stríkis, N.M., Edwards, R.L., Cheng, H., Emerick, S., Paula, M.S., Li, X., Barreto, E.S., Karmann, I.,Santos, R.V. 2017. A high-resolution history of the South American Monsoon from Last Glacial Maximum to the Holocene. Nature Scientific Reports 7, 44267.
Voigt, I., Chiessi, C.M., Prange, M., Mulitza, S., Groeneveld, J., Varma, V., Henrich, R. 2015. Holocene shifts of the Southern Westerlies across the South Atlantic. Paleoceanography 30, 39-51.
Wang, X., Edwards, R.L., Auler, A.S., Cheng, H., Kong, X., Wang, Y., Cruz, F.W., Dorale, J.A., Chiang, H.W. 2017. Hydroclimate changes across the Amazon lowlands over the past 45,000 years. Nature 541, 204-207.
Zhang, Y., Zhang, X., Chiessi, C.M., Mulitza, S., Zhang, X., Lohmann, G., Prange, M., Behling, H., Zabel, M., Govin, A., Sawakuchi, A., Cruz, F.W., Wefer G. 2016. Equatorial Pacific forcing of western Amazonian precipitation during Heinrich Stadial 1. Nature Scientific Reports 6, 35866.