Excursão


Evolução Morfotectônica da Planície Costeira de Bertioga e Implicações no Desenvolvimento da Paisagem

COORDENAÇÃO
Profa. Dra. Celia Regina de Gouveia Souza
(IG-SMA/SP e Progr. Pós-Graduação em Geografia Física da FFLCH-USP).

COLABORADORES
Profs. Drs. Francisco Ladeira (IGc-UNICAMP) e Lucia Rossi (IBt-SMA/SP).

EMENTA
Duração: 01 dia.
Incluí: transporte, água, frutas e almoço próximo a uma cachoeira.
Número de participantes: mínimo de 10 e máximo de 20 .

RESUMO
A planície costeira de Bertioga, localizada na Região Metropolitana da Baixada Santista (litoral central do Estado de São Paulo), apresenta quase todos os tipos de sistemas deposicionais aflorantes no restante do litoral brasileiro, encaixados em uma área bastante restrita (largura da planície é inferior a 6 km).

Como toda planície costeira, a de Bertioga teve sua evolução associada às variações climáticas e do nível relativo do mar que ocorreram durante o Quaternário. Entretanto, essa evolução foi também controlada por pulsos tectônicos, cujo resultado foi: assinatura sísmica indicativa de um hemigraben (“Graben de Bertioga”) com bloco abatido voltado para a Serra do Mar; coluna sedimentar com espessura superior a 100 m na parte central da planície costeira; presença de feições morfotectônicas na planície costeira (arranjo anômalo de distribuição espacial de algumas Unidades Quaternárias, anomalias de drenagem e relevo, conjuntos de fraturas sistemáticas em terraços marinhos) e na Serra do Mar (captura fluvial do Rio Guaratuba); provável preservação de terraços marinhos e depósitos fluviais mais antigos que a Formação Cananéia (Estágio Isotópico Marinho – EIM 5e); controle diferencial da sedimentação marinha e fluvial holocênica; e presença de camadas-guia em depósitos pleistocênicos e holocênicos com rejeitos de até 7,5 m.

Assim, o modelo evolutivo dessa planície costeira pode ser em parte comparado aos propostos para a maioria das planícies costeiras brasileiras, porém com a particularidade de ainda guardar os raros testemunhos do evento transgressivo-regressivo correlato ao EIM 7 e sugerir a ocorrência de pelo menos dois pulsos tectônicos ocorridos no final do Pleistoceno e um pulso no Holoceno médio a superior.

Mas essa evolução geológica-geomorfológica especial também foi responsável pelo desenvolvimento de um mosaico complexo e muito variado de fisionomias de Vegetação de “Restinga”, englobando todas as definidas na Resolução CONAMA 07/1996, além de mais dois tipos novos. Esse mosaico é controlado pela distribuição espacial das Unidades Quaternárias na planície costeira e dos solos associados a cada uma.

Outro aspecto relevante na região é a elevada preservação ambiental de grande parte dessa planície costeira, que incitou a criação de uma unidade de conservação integral - o Parque Estadual da Restinga de Bertioga, em 2010. Vários desses aspectos poderão ser observados durante a Excursão, com visitas a afloramentos-guia e locais importantes, por meio de vias de acesso que cruzam a planície costeira.

REFERÊNCIAS
Souza, C.R. de G.; Moreira, M.G. & Lopes, E.A. 2009. Coastal plain and low-medium slope sub-biomes: a new approach based on studies developed in Bertioga (SP). Brazilian Journal of Ecology, Ano 13, nº ½, p. 29-39. ISBN: 15165868. (disponível em http://ecologia.ib.uSP.br/seb-ecologia/revista/n109/Célia%20a.pdf)

Souza, C.R. de G. 2015. The Bertioga Coastal Plain: An Example of Morphotectonic Evolution. In: B.C. Vieira, A.A.R. Salgado and L.J.C. Santos (eds.). Landscapes and Landforms of Brazil, Chapter 11, p. 115-134. World Geomorphological Landscapes, DOI 10.1007/978-94-017-8023-0. ©Springer Science+Business Media Dordrecht. Book ISBN: 978-94-017-8022-3.